Sobre Amor e outras drogas

Ao Tempo, Despedida

É, mais uma vez estou escrevendo de madrugada num quarto de hotel.

 

Eu sei que deveria ao menos tentar não fazer isso com tanta frequência, mas acabei me acostumando em ter silêncio e tempo livre somente nessas horas. E até que é bem bom viu.

 

A turnê do novo livro está correndo melhor do que todo mundo imaginou, os eventos estão sempre lotados e o dia todo tenho que sair correndo para cima e para baixo, sempre cercado dos produtores, fotógrafos, às vezes alguns tipos esquisitos de celebridade vem buscar um holofote e tem os fãs também, que é a melhor parte do dia. Mas com tudo isso, acabo ficando sem tempo de escrever no meu caderno quando alguma nova ideia surge ou quando quero finalizar algum texto. Tem dias que quase não dá pra ir ao banheiro.

 

Mas vou te falar que adoro toda essa correria, a empolgação e a animação de todo mundo por aqui.

 

É realmente uma pena que você não possa estar aqui pra viver isso tudo comigo e curtir a viagem, já que você costumava amar essa parte do mundo.

 

Mas faz parte da vida, não é?

 

Está começando a nevar lá fora; esse hotel aqui é aquele que você ficou da última vez. Agora eles tem um jardim de tulipas e quando neva bastante para cobri-las, parece que as flores estão flutuando na neve, como várias bolinhas coloridas espalhadas em um lençol branco. É até difícil de descrever como fica simples e bonito.

 

Eu estou aproveitando o máximo que posso por aqui, logo a turnê termina e volto pra casa de novo. E só pra você saber, caso não saiba, eu estou indo bem. A saudade se tornou uma amiga e as memórias um tipo de nostalgia boa. Não tenho mais aquela tristeza me acompanhando como antes, nem procuro mais explicações ou culpados pelo que aconteceu, embora eu ainda me incomode um pouco de não ter tido chance de me despedir de você já que tudo aconteceu tão rápido e de forma inesperada. Mas eu recuperei minha independência e ando criando uma vida nova, comprei roupas novas, mudei alguns detalhes e até conheci algumas pessoas.

 

Sei que não posso mentir e falar que, às vezes, não quero voltar pra casa, te encontrar lá, matar a saudade, transar loucamente, conversar a noite toda, te amar como você sempre mereceu e como sempre fizemos. O ponto é que não dói mais.

 

E sobre as outras pessoas, até que costuma ser divertido, mas acabo comparando com você.

Com o seu cheiro, sua pele, seu toque, seus arrepios ou sua voz e olhar. Não tem jeito, a gente compara. O nosso era bem mais intenso, aliás.

 

Mas é isso. Estou dando tempo ao tempo e sendo paciente comigo mesmo.

Tem dado certo, aos poucos.

 

Quero te reafirmar, que eu sempre vou te amar e que vou cumprir minhas promessas por inteiro e de dedo mindinho.

E, se tiver mesmo outras vidas, vou te encontrar novamente.

Pois, o que nós fomos, foi real, foi marcante, foi bom.

Até mesmo as partes ruins.

 

Então, enquanto isso, cuida de mim aí de cima.

Eu vou continuar cuidando de mim por aqui.

 

E toda vez que eu olhar para o céu, vou pensar em você, não importa a hora, o clima ou o lugar.

Eu sempre me senti conectado com você de alguma forma e eu acredito que uma hora a gente vai se encontrar novamente.

Enquanto isso, eu vou fazer o meu melhor por aqui.

Eu te prometi isso na última vez.

Por mim.

E por você.

 

Então, agora que você virou uma estrela, olha por mim aí de cima, daqui eu me viro.

Vou escrevendo, vivendo e sendo quem eu sou.

 

E quando me perguntarem sobre minha inspiração, sabemos que só tem uma resposta certa:

Sempre foi você.


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