Sobre Amor e outras drogas

Eu Deixo As Luzes Acesas

Aquela, fraquinha, da entrada do apartamento

Para quando você voltar, não tropeçar nos sapatos ou na mesinha da sala de jantar

Para colocar as chaves no lugar certo, alcançar o bule de chá na bancada que divide a cozinha e a sala de estar

E ir até o banheiro sem esbarrar nas prateleiras do corredor e derrubar metade dos livros

 

Eu deixo algumas luzes acesas

Também a da varanda, como num código nosso

Para quando você ver nosso andar lá do pátio do condomínio

Saber que tem uma casa quentinha e aconchegante te esperando

 

Eu deixo

Pantufas secas e uma toalha a postos atrás da porta

Para que se um dia a tempestade te alcançar

Você se enxugue, não corra o risco de uma gripe

E não molhe aquele tapete que eu gosto tanto

 

Também deixo o abajur do quarto ligado

Com sua luz azul-roseada

Indicando calma e o seu lugar na cama

Logo ao lado do meu

 

Mas se por acaso

A luz da sala estiver acesa

É porque dormi no sofá

E você tem todo direito de se abraçar em mim

Ficarmos ali com o som ambiente da televisão

Enquanto ganhamos tempo um com o outro

 

Eu deixo as luzes acesas

As minhas próprias

Para que de alguma forma, enquanto eu caminho, possa compartilhar algo bom com você

E te ajudar a manter suas luzes acesas

 

Ou simplesmente para te servir de guia durante os tempos difíceis

Como fazemos um com o outro desde sempre

E, claro, para causarmos inveja ao sol

 

Eu deixo as luzes acesas

Como um farol

Uma prece

E uma boa refeição

 

Eu mantenho as luzes acesas

Para o melhor que somos

E seremos

 

Por isso, meu bem

Basta perceber

As luzes sempre estão acesas


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