Sobre Amor e outras drogas

Holo – Parte I

Já era a sexta balada daquela noite.

Nenhuma das outras cinco anteriores havia prendido sua atenção e vontade de esquecer da semana cheia.

Verdade seja dita, ele só estava fugindo e se escondendo.

De si mesmo.

 

Ficou no bar.

Uma cerveja.

Duas cervejas.

Uma vodka.

Três tequilas.

Gim.

Porque virou cult e gastar dinheiro te faz parecer interessante.

 

Esperou até depois das três, quando o funk acaba e a pista é rapidamente limpa para ser invadida por luzes vivas, alguma fumaça, balas, perfume e danças sem julgamento. Tudo o que pode provocar alguns efeitos diversos nas pessoas que estão ali.

 

E se sentir o  mais perto da liberdade desejada.

 

No meio da pista, havia ela.

Dançando livre, movendo o corpo para cá e para lá. De olhos fechados. Mãos soltas pelo próprio corpo, passeando das pernas ao final do rabo de cavalo em rebolado ritmado, sentindo a música.

Sabia bem o que estava fazendo: Libertando sua própria deusa.

Exalando luxúria e poder.

Deu um, dois, três foras. Um chute em um cara de academia e continuou dançando como se nada tivesse acontecido

 

Andando na pista, ele via o corpo dela se mover em câmera lenta quando as luzes a tocavam na mesma batida da música eletrônica.

 

Os olhos abertos se cruzando a todo instante, fixos.

 

E sérios.

 

Ele chegou mais perto.

Ela sorriu.

Ele não entendeu.

Ela o puxou para dançarem juntos, num canto da parede.

 

O corpo dela era quente, assim como a boca e a nuca.

Ela rebolava encaixada de costas para ele.

Ele a beijava e tentava descer as mãos.

Sem nem saber que  já havia caído na teia dela.

 

Luzes.

Suor.

Álcool.

Mãos.

Música alta.

Masturbação.

Saliva.

Batida forte.

Olhares fortes.

Roupa de couro.

Puxões.

Pole dance.

Neon.

LSD.

Penetração.

Barulho.

Gemidos baixos.

Música alta.

Escuridão.

Sem nomes.

Música cada vez mais alta.

Sem intimidade.

Fugindo de si.

Suor.

Escuridão.

Saliva.

Aprisionando mais um.

Luzes piscando.

Prazer.

 

Liberdade?

 

Já eram 4:30 da manhã.

O mundo acabava lá fora.

As ruas eram manchadas de vermelho e corpos ainda estavam jogados nas calçadas.

 

 

Dentro da casa noturna eles ainda dançavam e dançavam.

 

 

 

Uma boa noite de sexta feira, sem dúvida.

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