O Relógio Dourado

No meio de um deserto existe um oásis e eu caminho para ele.
Com exceção do oásis, tudo ao meu redor é areia e calor. Não o calor ardente do Sahara, mas sim, um calor confortável e o Sol não queima a pele, apenas a aquece.
Não consigo lembrar como cheguei até esse deserto, mas sinto que devo continuar indo em direção ao oásis.

Ultrapassando uma duna, consigo ver todo o oásis:
É pequeno, um lago com poucas árvores o cercando e alguns camelos deitados na areia. Uma casa de pedras possui panos coloridos balançando levemente ao vento suave que sopra constantemente, remodelando a paisagem ao redor.

Chegando ao oásis, todo detalhe se torna belo.

A água do lago é cristalina, fresca e doce.

Os camelos são calmos e possuem o pelo brilhante e escovado.

A casa de pedra se assemelha a uma tenda comum dos desertos, é cercada de panos com diversas cores e desenhos variados.

Algumas cores eu jamais havia conhecido.

Pedras na areia indicam o caminho para uma pequena menina que corre sorrindo de um lado para outro enquanto uma mulher a observa na única porta da casa. Seu olhar é sereno e feliz.

Ela repara minha chegada e sorri, faz um sinal para que eu espere e caminha lentamente para dentro da casa, retornando com pequeno baú de madeira em uma das mãos.

Segurando com as palmas das mãos estendidas, ela o oferece a mim.

Ela possui a pele clara, como se o sol do deserto não lhe causasse impacto.

Seus cabelos negros e lisos caem até pouco abaixo dos ombros, as bochechas rosadas combinam com os lábios da mesma tonalidade e os olhos são profundos e escuros.

A luz do entardecer bate em seu rosto e corpo, clareando a sua roupa leve, folgada e branca com detalhes dourados.

Sorrindo, ela continua me oferecendo o baú, o diminuto baú de madeira parece ter sido retirado de um navio pirata, alguns detalhes em ouro queimado ressoam com sua velha madeira escura, em total contraste com a mulher que o segura.

Encontro dentro do baú, enrolado em um pedaço de pano, um antigo relógio dourado de bolso, ainda com sua corrente de prata no fecho. O relógio brilha com a luz do sol, o desenho em sua tampa parece feito à mão: um leão heráldico circundado por um dragão serpente.

Dentro do relógio, as horas continuam passando em um dos lados, do outro lado de dentro, existe uma foto embaçada que vai clareando aos poucos enquanto o sol começa a se por de vez. A foto vai mostrando três pessoas juntas, uma criança, uma mulher e um homem.

A criança e a mulher da foto são as mesmas que estão no oásis.

E eu reconheço a mulher enquanto o homem é o último a aparecer.

Eu olho para a mulher que me convida a entrar na casa enquanto os últimos raios de sol começam a desaparecer no horizonte.

De alguma forma, eu sei que pertenço àquele lugar e que estou ligado àquela mulher e criança.

Ela diz que estavam me esperando.

Eu me recordo de quem ela é, o que eu sinto por ela, por que estou ali.

E entro na casa de luzes apagadas.

Afinal, o homem na foto do relógio era eu.

E enfim, eu estou em casa.

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