Olhares

Aqueles olhos.

Ah… Aquele olhar…

Como pode um olhar ser tanta coisa ao mesmo tempo?

Era quente.

Profundo.

Vivo.

Hipnótico.

Pulsante…

Do tipo que cortava e acelerava a respiração, secava a garganta e fazia brotar do peito um silencioso gemido que viria morrer na boca semiaberta e inquieta em seus pequenos espasmos.

A pele continuava esquentando, a transpiração logo começaria a agir e a respiração passaria a ser ritmada pelo momento.

E além dos movimentos.

Movimentos que continuariam e logo depois encerrariam tudo aquilo.

Era preciso continuar andando.

No meio da multidão da cidade, era preciso seguir andando.

Uma troca de olhares.

No meio da multidão, uma fração de segundo.

Uma troca de olhares.

No meio da cidade, não cruzaríamos de novo.

Uma troca de olhares.

Que não aconteceria novamente.

Mas que coloriu o cinza da cidade por mais um dia.

 

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