Sobre Amor e outras drogas

Uma Pausa

Isso foi escrito em Setembro de 2017 e eu precisava manter aqui:

“Faz alguns dias que estou batendo os dedos no teclado para escrever algo sobre vocês. E talvez, também para vocês.
Eu não os conheço, não sei suas histórias de vida, se são boas pessoas ou se gostam de ver pôr-do-sol numa tarde de primavera, quando o cheiro das flores enche os pulmões e os corações apaixonados se aquecem mais uma vez.
E definitivamente não pedi permissão para tirar esta foto.
Mas eu os vi sorrindo, um para o outro, eu percebi seus olhares.
Eu parei para ver vocês buscando a melhor posição, um no outro, como se acomodaram tão naturalmente e como quase ninguém naquele vagão de trem parecia reparar.
Eu a vi procurando uma melhor posição no ombro dele, enquanto com uma mão segurava sua bolsa e com a outra segurava e acariciava o braço do seu companheiro.
Eu o vi, ajustando o chapéu para encostar a cabeça na dela, antes de fechar os olhos, sem a incomodar.
Eu não sei há quanto tempo vocês estão juntos, não sei pelo que passaram, pelo o que talvez brigaram ou onde já passearam. Mas eu torço, para que seja amor.
Tenho quase certeza de que é. Do tipo que as pessoas declamam não existir na cidade grande.
Mas existe.
Eu vi como ele a olhou nos olhos e como ela olhou de volta.
Eu vi como ela sorriu e como ele retribuiu.
Eu vi que o amor permanece como o combustível da vida e enxerguei como sempre quis meu futuro.
Em algumas estações daquela linha de trem, vocês me encantaram. Fizeram-me sorrir simplesmente por estar ali e eu agradeço.
Agradeço por me lembrar que a aparência da juventude se esvai.
Agradeço por me lembrar que todo o resto importa. Como conversar, ser condolente e apoiador.
Eu agradeço por cruzar o caminho de vocês.
E torço, para que o que vi tenha sido uma amostra de amor.

Por que para mim, foi.
A profundidade dos olhares que vocês trocaram me dá certeza disso.”


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